Siga nosso blog!

Segudores do Google +

Amigos do Facebook

--=

Pará Notícias

Um novo conceito

Governo mudará parâmetros de aversão a risco e preço da energia deve aumentar em 2017

O governo vai alterar os parâmetros de aversão a risco para a operação do sistema elétrico nacional para padrões mais conservadores, o que deve resultar no aumento dos despachos térmicos e do preço da energia no País, tanto para o mercado cativo, dos consumidores atendidos pelas distribuidoras, quanto para o livre, dos consumidores que compram sua energia diretamente das geradoras. 

Os novos parâmetros ainda passarão por consulta pública e entrarão em vigor apenas em maio de 2017, mas o tema já movimenta o setor elétrico, que começa a tentar estimar qual será o novo nível de preço.

O Ministério de Minas e Energia anunciou hoje que a Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP), em reunião realizada ontem (18), aprovou o aumento da aversão ao risco representada nos modelos computacionais de formação do preço, a partir da alteração dos chamados "parâmetros alfa e lambda do CVaR", que passarão para 50 e 40, ante os atuais 50 e 25. 

"Na avaliação da Comissão, essa alteração melhorará a informação de custo e de preço nos modelos computacionais e permitirá uma transição mais suave para a implantação da Superfície de Aversão ao Risco (SAR) em 2018".

Na prática, explicou o consultor sênior da Thymos Energia, Renato Mendes, o governo aumentou o peso dos piores cenários hidrológicos no modelo de formação de preço, de maneira a antever o despacho térmico para evitar uma potencial falta de energia. Até agora, considera-se como parâmetro que 50% das séries são ruins, dando a elas um peso de 25%. A nova proposta mantém os 50%, mas aumenta seu peso para 40%. "Na prática, o peso era de 75% para os bons (cenários), agora estão dando 60% para os bons. Então, no final das contas, estão subindo a aversão a risco para 60%", disse.

A proposta contrariou a expectativa do mercado, que esperava uma alteração no corte do que era considerado como séries ruins, para aumentar o peso dos cenários de hidrologia realmente extremos, reduzindo o porcentual de 50% para 25% ou menos. Mendes evitou criticar a proposta governamental. Ele explicou que dar mais foco em eventos extremos - como os que foram registrados nos últimos anos - poderia levar o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a determinar muito despacho térmico e acarretar em vertimento de água dos reservatórios das hidrelétricas.

 "É difícil vestir a camisa do ONS, porque no meio dessas imperfeições de modelagens e parâmetros, ele tem de operar o sistema, fazendo com que não falte energia, mas também não haja desperdício", disse.

De qualquer forma, ao modificar os parâmetros, eleva-se valores como o do Custo Marginal da Operação (CMO), que define eventuais despachos térmicos, e do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), o preço spot da energia, usado como base para a definição de preços no mercado livre.
Se o impacto para o mercado livre tende a ser mais imediato, no mercado cativo, o aumento do preço deve ser sentido com o tempo. A elevação dos preços e o consequente potencial acionamento com mais frequência das térmicas aumentam os custos das distribuidoras, que são, em um segundo momento, remuneradas por meio da elevação das tarifas. Além disso, a alta dos despachos pode acarretar no acionamento de bandeiras tarifárias. "Vai depender muito do período chuvoso. Se o Cvar valesse hoje, provavelmente poderia chegar a atingir uma bandeira amarela", disse. (Luciana Collet - luciana.collet@estadao.com)

0 comentários: