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Pará Notícias

Um novo conceito

Marina empata com Dilma na corrida presidencial, diz Datafolha

RICARDO MENDONÇA - Folha de São Paulo

DE SÃO PAULO

29/08/2014  20h25 - Atualizado Às 23h39

Pesquisa Datafolha finalizada nesta sexta (29) mostra a presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-ministra Marina Silva (PSB) numericamente empatadas na simulação de primeiro turno da eleição presidencial. Cada uma tem 34% das intenções de voto.

No teste de segundo turno, Marina seria eleita presidente da República com dez pontos de vantagem: 50% a 40%.

Os dados mostram fortalecimento da candidatura Marina, inscrita como cabeça de chapa do PSB após a morte de Eduardo Campos num acidente aéreo, em 13 de agosto.

Em relação ao levantamento anterior do instituto, feito imediatamente após a tragédia, Marina apresenta melhor desempenho tanto na simulação de primeiro quanto na de segundo turno.

No intervalo de duas semanas, ela cresceu 13 pontos no teste de primeiro turno, enquanto Dilma oscilou dois pontos para baixo.

No embate final contra a petista, onde antes havia empate técnico no limite máximo da margem de erro, Marina foi de 47% para 50%. Dilma recuou de 43% para 40%.

A pesquisa mostra ainda recuo das intenções de voto em Aécio Neves (PSDB), afastando sua chance de disputar um segundo turno.

No levantamento com todos os candidatos, o tucano caiu de 20% para 15%. Num eventual confronto final contra Dilma, ele perde por 48% a 40% (o Datafolha não investigou a hipótese de segundo turno entre Aécio e Marina).
Juntos, todos os outros candidatos à Presidência somam 3%. Votos nulo ou em branco totalizam 7%. Outros 7% estão indecisos.

A consolidação da candidatura Marina fica evidente na pesquisa espontânea, quando o entrevistador pergunta pelo voto do eleitor sem mostrar a lista de candidatos.

Nesse tipo de apuração, as intenções de voto em Marina subiram de 5% para 22%. Com Dilma, o avanço foi de 24% para 27%.

MUDANÇA

O avanço de Marina ocorre no momento em que o Datafolha também detecta uma taxa recorde de eleitores sedentos por mudanças.

De cada dez entrevistados, oito afirmam preferir que as ações do próximo presidente sejam diferentes das atuais.

A taxa de desejo de mudança (79%) está três pontos acima da identificada na pesquisa anterior, que já era comparável apenas ao número apurado em setembro de 2002, véspera da eleição vencida pelo então oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na análise das intenções de voto por região, o equilíbrio entre Dilma e Marina no primeiro turno desaparece.

Marina vence Dilma com folga nas regiões Sudeste, a mais populosa (35% a 26%), e Centro-oeste (39% a 29%).

Dilma, por sua vez, bate Marina com larga margem no Nordeste, a segunda região mais populosa (47% a 31%), e no Norte (46% a 30%).

As duas ex-ministras do governo Lula estão numericamente empatadas nos três Estados do Sul (32% a 32%).

Dilma continua líder em rejeição, com 35% dispostos a não votar nela de jeito nenhum. Nesse aspecto, a vantagem de Marina é robusta: só 15% do eleitorado a rejeita.

Também há grandes diferenças entre as intenções de voto em Dilma e em Marina nos vários segmentos sociais investigados pelo Datafolha.

Marina vai bem melhor que Dilma entre os eleitores mais jovens, de 16 a 24 anos (42% a 31%); junto aos que têm ensino superior (43% a 22%); no grupo dos que têm renda familiar mensal entre 5 e 10 salários mínimos (44% a 21%); e nas cidades com mais de 200 mil e menos de 500 mil habitantes (38% a 26%).

Já Dilma ostenta vantagem robusta sobre Marina no grupo das pessoas com mais de 60 anos (38% a 25%); entre os que têm ensino fundamental (44% a 25%); no universo dos mais pobres, com renda familiar mensal de até dois salários mínimos (41% a 31%); e nos municípios pequenos, com até 50 mil habitantes (44% a 29%).

Religião também apresenta diferenças significantes. Os católicos, o maior grupo, preferem Dilma (38% a 30%). Mas Marina tem vantagem mais significativa entre evangélicos de igrejas não pentecostais (44% a 29%) e entre pentecostais (41% a 30%).

O Datafolha ouviu 2.874 eleitores nesta sexta e na quinta (28). A margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos.

Jornalistas que divulgam interceptação telefônica não cometem crime

Do site Migalhas
O procurador regional da República Pedro Barbosa Pereira Neto se manifestou de forma contrária ao indiciamento dos jornalistas Maurício Ferraz e Bruno Tavares, da Rede Globo, pela divulgação de interceptações telefônicas em reportagem sobre escândalo na área da saúde pública.
O procurador salientou que o crime de quebra de segredo de justiça é próprio, "eis que restrito às pessoas que têm acesso legítimo ao procedimento da interceptação". Ela ressalta ainda que mesmo aqueles que entendem que se trata de crime comum cogitam da hipótese de qualquer pessoa invadir o ofício judicial ou policial para acessar os dados sigilosos, "o que decididamente não é o caso dos autos."
Em maio de 2013, o programa Fantástico exibiu reportagem dos jornalistas mostrando que o SUS pagou por suposto tratamento de um menino, um mês depois da morte dele. Trechos de diálogos telefônicos que constavam no inquérito policial sigiloso foram divulgados no programa e o delegado da PF determinou o indiciamento dos jornalistas.
De acordo com pereira Neto, "à primeira vista o jornalista que apenas divulga o conteúdo de interceptação telefônica sem qualquer prova de que ele mesmo tenha concorrido para a quebra do sigilo não comete o delito em questão."
“A efetiva liberdade de informação jornalística, notadamente num país que já sofreu as agruras de uma ditadura militar, é instrumento fundamental para consolidação da sociedade democrática e pluralista”.
O procurador ressalta que a circunstância provada de que os jornalistas estavam à busca da informação e que efetivamente tiveram acesso ao material sigiloso não autoriza o entendimento de que foram eles que quebraram o sigilo.
"E é necessário dizer também que se houve a divulgação de dados sigilosos é porque antes ocorreu a quebra do sigilo por pessoas vinculadas ao sistema de justiça – o que mostra claramente um grave déficit de funcionamento do sistema e que precisa ser resolvido com o emprego de tecnologia que registre e restrinja o acesso de pessoas aos dados sigilosos e, evidentemente, com a efetiva punição daquele (s) que entregou o material objeto da quebra de sigilo aos meios de comunicação."
O parecer foi entregue ao desembargador Cotrim Guimarães, do TRF da 3ª região, que analisará HC impetrado pelos advogados Eduardo Augusto Muylaert AntunesSylas Kok Ribeiro e Alexandre Daiuto Leão Noal (Muylaert, Livingston e Kok Advogados) em favor dos jornalistas para que eles não sejam indicados pelo crime previsto no art. 10 da lei 9.296/96, que regulamenta as interceptações.

  • Processo: 0014097-92.2014.4.03.0000

Dilma sanciona gratificação a membros do MPU

Da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff sancionou, com um veto, a lei que institui a gratificação por exercício cumulativo de ofícios dos membros do Ministério Público da União (MPU). A legislação sancionada provém de um projeto de lei aprovado no início deste mês pelo Congresso Nacional e prevê que recebam gratificação os integrantes do MPU que forem designados para substituírem ou acumularem função por um período superior a três dias.
Publicado nesta quarta-feira (27) no Diário Oficial da União, o artigo vetado incluía a magistratura da União dentre os cargos contemplados com a gratificação, no caso de acumulação de juízo, acervo processual ou função administrativa. De acordo com o projeto aprovado pelo Congresso e vetado pela presidenta, as despesas correriam por conta das dotações orçamentárias do Poder Judiciário.

O veto foi criticado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Em nota, o órgão disse que a medida evita que os magistrados exerçam trabalho relevante sem a contraprestação respectiva. De acordo com o presidente da Ajufe, Antônio César Bochenek, os juízes federais são responsáveis por todas as ações cíveis e criminais e acabam acumulando funções na ausência dos seus colegas.

A justificativa para o veto da presidenta foi formulada com base no ponto de vista financeiro. Após consultar os ministérios da Justiça, da Fazenda e do Planejamento, além da Advocacia-Geral da União, a mensagem de veto explica que essa aplicação de recursos não foi objeto de autorização específica na Lei Orçamentária deste ano. Outra razão para o veto é que a Lei de Responsabilidade Fiscal impede a “geração de despesa obrigatória de caráter continuado sem a estimativa de impacto orçamentário-financeiro e sem a demonstração da origem de recursos para seu custeio”

Segundo Antônio César Bochenek, os juízes federais não estão satisfeitos com a situação, pois a medida cria uma diferenciação entre o Ministério Público e os magistrados. O presidente classificou o veto como uma discriminação ao setor, concordando com a nota da Ajufe, que fala que a atitude reafirma a  “posição do governo de desprestígio e desvalorização da magistratura federal”. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social informou que a posição do Palácio do Planalto é a mesma apresentada na justificativa aos vetos.

Ninguém sabe quais são as posições econômicas de Marina

LEONARDO AVRITZER*

        Confesso que tenho tanto admiração quanto dúvidas em relação à Marina Silva. A admiração deriva da coerência da sua biografia política. A trajetória política de Marina foi feita do mesmo material que as trajetórias que ajudaram a transformar o Brasil, da luta dos atores sociais desfavorecidos que botaram em questão a desigualdade quase natural que existia no Brasil até o final do regime autoritário.
        Cabe aqui lembrar do projeto do regime autoritário para o Acre no final dos anos 1970: transformá-lo em um ajuntamento de colônias agrícolas, como estava sendo feito na região do Xingu com os resultados sociais que hoje conhecemos. Marina e Chico Mendes foram os principais opositores dessa estratégia que acabou levando à criação das reservas extrativas no Acre.
        Desde então, a trajetória de Marina na defesa ambiental é das mais coerentes, senão a mais coerente no país. Ela jamais arredou pé dessa luta, o que levou ao seu confronto com Lula.
        Vale a pena fazer uma reflexão sobre a disputa entre Marina e Lula dizendo que ela ocorreu no auge da popularidade do ex-presidente, quando poucos o criticavam. Foram duas as discordâncias ligadas a políticas ambientais para a Amazônia: a primeira delas foi sobre a posição defendida pelo então ministro Roberto Mangabeira Unger, que envolvia a legalização de terras ilegalmente ocupadas e um plano com preocupações desmedidas com a assim chamada "segurança nacional"; a segunda envolveu a política de expansão do agronegócio na baixa Amazônia.
        Marina Silva se opôs com coerência às duas políticas em um momento em que Lula e seu governo eram uma quase unanimidade nacional. Ela deixou o ministério, construindo assim uma percepção de coerência política que reforça a sua candidatura hoje. Esses são os pontos da biografia de Marina que me parecem fortes.

Relações Políticas

        Mas não é possível ignorar os pontos ambíguos. O primeiro deles diz respeito à maneira como ela vê os partidos. Eu estou entre aqueles que acham que a concepção de partido da maneira como a conhecemos desde o final do século 19 está esgotada.
        Ao se centrar completamente na disputa eleitoral, os partidos foram sendo identificados com uma lógica do vale-tudo com a qual a cidadania não se identifica. Ao mesmo tempo, vivemos a ascensão das instituições imparciais, para usar a expressão do filósofo francês Pierre Rosanvallon.
        Cada vez mais, os cidadãos das democracias modernas admiram instituições que não são regidas pela lógica majoritária, como é o caso do Ministério Público ou do Supremo Tribunal Federal no Brasil. Assim, partidos estão em crise e podemos entender as críticas de Marina à formação da rede de sustentabilidade por esta via.
        Mas aqui começam as contradições de Marina. Por um lado, ela não conseguiu fundar a Rede, apesar de ter tido quase 20% dos votos na última disputa presidencial. Por outro, ela solucionou esse problema entrando transitoriamente no PSB.
        Por fim, ela se recusa, no momento em que assume a candidatura à presidência, a cumprir acordos do PSB - como o apoio ao candidato do PSDB em São Paulo e ao candidato do PT no Rio.
        O que tudo isso diz em relação à Marina? Diz que vai ser difícil a relação dela com partidos em um sistema político no qual parece improvável que o PSB tenha mais de 20% das cadeiras do Congresso (o patamar do PSDB e do PT nas últimas quatro eleições).
        Ou seja, Marina precisa apontar para a sociedade brasileira como ela pretende governar e se relacionar com os partidos principais da democracia brasileira para estabilizar a sua candidatura.

Condução da economia

        Ao mesmo tempo, nas suas relações com o mercado, Marina parece ter uma posição ainda mais ambígua. Ela tem boas relações com alguns empresários, como Guilherme Leal, da Natura, e de Maria Alice Setúbal, do Itaú.
        Marina ainda herdou de Eduardo Campos, na coordenação do seu programa de governo, Eduardo Gianetti da Fonseca, considerado o mais conservador entre os assessores econômicos dos três principais candidatos. Mas ela tem na coordenação da sua campanha pessoas como Luíza Erundina e Roberto Amaral, que têm uma outra posição em relação à economia.
        A pergunta que se coloca é: quais são as posições econômicas de Marina? E a resposta é: ninguém sabe. O grupo de assessores históricos de Marina, aqueles mais próximos da candidata, está muito distante da posição de Eduardo Gianetti, e mesmo da ideia de autonomia do Banco Central.
        Assim, fica a interrogação sobre como Marina pretende equilibrar forças econômicas tão distintas no seu governo. Existe o risco real de ele ser um governo de decisões e desautorizações no campo da economia. Da resposta a essa pergunta depende a estabilização da candidatura.
        É na interseção entre estas duas questões - relação com os partidos e com os agentes econômicos - que se colocam as principais virtudes e os principais riscos de uma vitória de Marina.
        De um lado, ela pode utilizar o seu distanciamento dos partidos para criar uma ampla coalizão que tire o Brasil da lógica PT versus PSDB, na qual ele se encontra desde 1994. Ela tem relações boas com lideranças importantes de ambos os partidos.
        No PT, partido ao qual ela pertenceu, ela colheu forte simpatia de alguns setores no momento da sua desfiliação. Já o seu principal assessor é um membro histórico do PSDB de São Paulo.
        Se Marina souber sinalizar uma ampla coalização política para governar, a sua candidatura ficará mais forte. Mas se ela sinalizar oposição aos partidos e governo acima deles, ela ficará mais fraca.
        É correto afirmar o mesmo em relação à economia. Se Marina sinalizar um programa de inclusão social com políticas de crescimento, ela terá o apoio de amplos setores no país. Caso ela opte por simpatias seletivas e nenhuma sinalização econômica, ela perderá este apoio. Ou seja, o momento para a candidata é de sinalizações claras para os atores políticos e econômicos.

* Leonardo Avritzer, 55 anos, é professor titular do departamento de ciência política da UFMG e presidente da Associação Brasileira de Ciência Política.

Supersimples

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quinta-feira (7) a lei que universaliza o acesso do setor de serviços ao Supersimples, regime simplificado de tributação para micro e pequenas empresas. Não houve nenhum veto.
Com a lei, toda empresa poderá aderir ao novo regime de acordo com seu faturamento anual, independente da atividade em que atua.
Apesar da facilidade em aderir ao sistema, novos setores incluídos no regime podem não ter a redução significativa no pagamento de imposto.
Isso porque as alíquotas aplicadas a essas empresas, entre 16,93% e 22,45% não representarão uma redução imediata na contribuição tributária a que já estão sujeitas fora do programa porque já pagam um valor máximo de 17,42% aplicado ao setor de serviços.
O cálculo da tributação será feito sobre o lucro presumido a partir de 2015.

João Bosco é o titular da delegacia de Cachoeira do Piriá

Os salários que o Sesi paga aos apadrinhados do PT

As remunerações a indicados por Lula e pelo partido chegam a R$ 36 mil – e alguns deles nem precisam aparecer para trabalhar
MURILO RAMOS
01/08/2014 20h35
BUUUU!!! A filial do Conselho do Sesi em São Bernardo, São Paulo. Os funcionários deveriam trabalhar lá, mas ninguém conseguia vê-los antes da visita dos caça-fantasmas  (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
Um espectro ronda a casa 787 da Rua José Bonifácio, numa esquina do centro de São Bernardo do Campo, em São Paulo – o espectro do empreguismo. De longe, vê-se apenas uma casa amarela, simples e estreita como as demais da região. De perto, subitamente, tudo o que é sólido se desmancha no ar e – buuu! – sobram somente os fantasmas. Naquele endereço, na cidade paulista onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mora e fez sua carreira, funciona o “escritório de representação”, em São Paulo, do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, o Sesi. A casa amarela mal-assombrada fica a 40 metros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em que Lula se projetou como um dos maiores líderes políticos do Brasil. O sindicato mais famoso do país continua sob o comando de Lula e seus aliados. A casa amarela foi criada por esses aliados no governo de Lula. Quem a banca são as indústrias do país. Todo ano, elas são obrigadas a financiar as atividades do Sesi, cuja principal finalidade é qualificar os trabalhadores das indústrias. A casa amarela é um dos melhores lugares do Brasil para (não) trabalhar. O escritório é modesto, mas os salários são inimagináveis – e as jornadas de trabalho, imaginárias. Difícil é entrar. É preciso ser amigo de petistas poderosos.
Na manhã da última quarta-feira, ÉPOCA reuniu coragem para bater à porta da casa amarela. Estava em busca de Marlene Araújo Lula da Silva, uma das noras do ex-presidente Lula. No papel e na conta bancária, ela trabalha ali. A reportagem encontrou apenas dois sindicalistas, além da copeira Maria e da secretária Silvana. Dona Maria parece ser a mais produtiva do lugar. Faz um ótimo café. Talvez por medo, não fala sobre as aparições. Assim que ÉPOCA perguntou pela nora de Lula, a secretária Silvana tratou de alertá-la por telefone. Cerca de 45 minutos depois, Marlene finalmente estacionava seu Hyundai Tucson preto na garagem.

Casada com o quarto filho de Lula, Sandro Luís Lula da Silva, Marlene raramente aparece no serviço, apesar de ter um salário de R$ 13.500 mensais. Diz ser “formada em eventos”. Questionada sobre o que faz no Sesi, onde está empregada desde 2007, Marlene foi vaga. Disse trabalhar em programas do Sesi na capital paulista e na região do ABC. “Trabalho com relações institucionais. Fico muito tempo fora do escritório. Tenho uma jornada flexível. Quem me contratou foi o Jair Meneguelli”, afirmou. Meneguelli é o presidente do Sesi. Sindicalista e amigo de Lula, ocupa o cargo desde que o PT chegou ao Planalto, em 2003. “Mas por que está fazendo essas perguntas? Se você está me procurando, deve ser pela ligação que tenho de sobrenome”, disse.

Marlene é apenas um dos fantasmas vermelhos que, segundo descobriu a Controladoria-Geral da União, a CGU, habitam a casa amarela. No começo do ano, funcionários do Sesi procuraram a CGU para denunciar a existência de fantasmas nos quadros da entidade. Todos indicados por Lula e outros próceres do PT. Os auditores da CGU, como caça-fantasmas, foram a campo. Encontraram apenas ectoplasmas. Estiveram na casa amarela e jamais flagraram a nora de Lula trabalhando. Experimentaram ligar em horários alternados, na tentativa de achá-la na labuta. Nenhum vestígio. Por fim, decidiram perguntar ao Sesi que atividades Marlene exercera nos últimos tempos. A resposta foi evasiva. Agora, a CGU trabalha num relatório sobre a caça aos fantasmas.

A rotina tranquila permitiu que Marlene se lançasse ao mundo corporativo. Em 2009, ela se tornou sócia do marido e de um cunhado, Marcos Luís, numa empresa de tecnologia que se diz especializada na produção de software, a FlexBr. Até hoje a empresa não tem site. Antes escanteada num imóvel da família do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, em São Bernardo do Campo, a FlexBr mudou-se para um  belo prédio no bairro dos Jardins, em São Paulo. ÉPOCA também esteve lá na semana passada. As atendentes do prédio disseram que a empresa não funciona mais lá há pelo menos um ano.  Nunca viram Marlene ali.

Por que o emprego de Marlene no Sesi nunca veio à tona? Um servidor do Sesi afirmou que se deve à dificuldade de associar o nome de solteira de Marlene ao sobrenome Lula da Silva. Na relação de funcionários do Sesi, o nome dela é Marlene de Araújo. Sobram fantasmas na família Lula. Em 2005, o jornal Folha de S.Paulo revelou que Sandro Luís, o marido de Marlene, tinha sido registrado como funcionário do PT paulista, com salário de R$ 1.500. Sandro nem sequer aparecia no partido.
 
APARIÇÕES Marlene (à esq.), nora de Lula, só apareceu no trabalho depois de ÉPOCA perguntar por ela. Márcia (à dir.), mulher do mensaleiro João Paulo Cunha, estava em casa (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
O assessor Rogério Aurélio Pimentel deveria ser colega de Marlene na casa amarela.  Até há pouco, estava lá apenas em espírito. Aurélio foi contratado no começo de 2011, para ser gerente de serviços sociais. Ganha R$ 10 mil por mês. O emprego no Sesi foi arranjado depois que a presidente Dilma Rousseff chegou ao Planalto e o dispensou. Aurélio, amigo de Lula, trabalhou no gabinete pessoal dele nos oito anos de mandato. No Planalto, dividia sala com Freud Godoy, ex-segurança de Lula. Godoy e Aurélio eram conhecidos no Planalto como “dupla dinâmica”. Freud se consagrou com o escândalo dos Aloprados, na campanha de Lula em 2006. Foi acusado de usar dinheiro sujo para comprar um dossiê fajuto com denúncias contra o tucano José Serra. ÉPOCA encontrou Aurélio na casa amarela. Ele disse não ter sido indicado por Lula. “Trabalho com Marlene assessorando projetos e também ajudo aqui no escritório”, disse. Não quis dar mais explicações. Desde as visitas dos caça-fantasmas da CGU, Aurélio passou a se apresentar no escritório do Sesi com mais regularidade.
o emprego dA nora de Lula demorou a ser descoberto porque ela usava o sobrenome de solteira
Na sede do Sesi, em Brasília, os caçafantasmas entrevistaram funcionários (de verdade) e vasculharam os computadores dos fantasmas em busca de vestígios de que trabalhavam. Nada. Uma das que não entravam no próprio computador chama-se Márcia Regina Cunha. Ela é casada com o ex-deputado João Paulo Cunha, do PT de São Paulo, condenado no processo do mensalão. Foi Márcia quem buscou os R$ 50 mil, em dinheiro vivo, que João Paulo recebeu de Marcos Valério – ele dizia que ela fora ao banco pagar a conta de TV a cabo. No Sesi, Márcia está empregada como gerente de marketing desde 2003. Recebe R$ 22 mil por mês.
Sou gerente de marketing. Trabalho lá (em Brasília) e aqui em São Paulo"
MÁRCIA CUNHA, MULHER DO MENSALEIRO JOÃO PAULO CUNHA, EM SUA CASA
Na tarde da mesma quarta-feira em que procurou Marlene na casinha amarela, ÉPOCA flagrou Márcia a 1.000 quilômetros da sede do Sesi em Brasília, onde ela deveria estar. Márcia estava em sua casa, na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo. A casa de Márcia e do ex-deputado João Paulo Cunha está em reforma. Márcia parecia acompanhar as obras. ÉPOCA quis saber por que ela não estava em Brasília. “Sou gerente de marketing. Trabalho lá (Brasília) e aqui em São Paulo. Tem uma unidade do Sesi aqui”, disse – e logo desapareceu.

Os caça-fantasmas tiveram dificuldade para encontrar também o advogado e jornalista Douglas Martins de Souza no Sesi em Brasília. Contratado para ser consultor jurídico, ganha R$ 36 mil. Filiado ao PT desde 2000, foi secretário adjunto da Secretaria de Igualdade Racial no início do governo Lula. Marlene disse que Douglas “fica entre Brasília e São Paulo”.

Além de atender a pedido de amigos, Meneguelli, o presidente do Sesi, também emprega os seus. Um deles é o petista Osvaldo Bargas. No período em que Meneguelli presidiu a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, Bargas era seu número dois. No Sesi, recebe salário de R$ 33 mil. A sindicalista Sandra Cabral, amiga do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, também conseguiu emprego lá. Recebe R$ 36 mil por mês.
 
COMPANHEIROS Jair Meneguelli e o ex-presidente Lula. Nomeado por Lula, ele está há 11 anos no Sesi e ganha até R$ 60 mil mensais (Foto: Ricardo Benichio/divulgação)
Se alguém ganha bem no Sesi, é o próprio Meneguelli. Há meses em que ganha quase R$ 60 mil – somando ao salário uma “verba de representação”. Hoje, ocupa uma sala espaçosa num dos prédios mais luxuosos da capital federal. Meneguelli desfila num impecável Ford Fusion preto, modelo 2014, com motorista. Para não ficar a pé no ABC paulista, deu ordens para que um Toyota Corolla zerinho fosse transportado de Brasília a São Bernardo do Campo. Fica a sua disposição, com motorista. As despesas com esses e outros três bólidos do Sesi somam mais de R$ 150 mil por ano.
Meneguelli tem uma mania incorrigível de confundir o patrimônio do Sesi com o dele. Todos os finais de semana, recebia passagens pagas pelo Sesi para ir a sua casa em São Caetano do Sul, em São Paulo. Isso acabou quando uma auditoria do Tribunal de Contas da União, o TCU, vetou o procedimento. Outra auditoria da CGU também achou estranho que Meneguelli tenha criado uma representação do Sesi em São Bernardo do Campo – e não na capital paulista. Silvana Aguiar, secretária de Meneguelli em São Bernardo, disse que a casa amarela, antes de ser o escritório do Sesi, já abrigava o escritório político de seu patrão.

Por meio de sua assessoria, Meneguelli afirmou que Marlene, Márcia, Aurélio, Sandra e Douglas cumprem suas jornadas de trabalho normalmente, que os cargos são de livre provimento e que os carros usados por ele são compatíveis com “padrão executivo, adotado pela instituição desde antes da atual gestão, e a despeito de quem seja gestor”. Afirmou não enxergar conflito de interesses na contratação do amigo Bargas. Lula não quis comentar.