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Pará Notícias

Um novo conceito

Dois Retratos de um mesmo Governo

Por Lourembergue Alves

A gestão Dilma Roussef superou as expectativas. Isso de acordo com a recente pesquisa CNI/Ibope. Ela tem 56% de ótimo ou bom na avaliação popular. Índice que supera aos obtidos pela administração Lula da Silva, nos primeiros anos de cada um de seus dois mandatos (51% e 41%, respectivamente), bem como aos conquistados pelo governo FHC (43% em 1995 e 17% em 1999). O ano, portanto, termina bem para a presidente. Ainda que se tenha visto uma fotografia bastante diferente do apresentado pelos institutos de pesquisa. Principalmente em razão de denúncias de corrupção, demissões de auxiliares diretos, equívocos e bate-cabeça com congressistas.

Tem-se, então, um quadro muito contraditório. Bem mais, quando se percebe que do ponto de vista administrativo nada se viu que possa indicar o altíssimo índice percentual conquistado. Os brasileiros, contatados pelos pesquisadores, parecem ter analisado outra administração. Não a da petista. Pois esta, ao contrário daquela, dificilmente teria a aprovação de 72% no que tange ao desempenho pessoal de Dilma, bem como a confiança de 68% dos entrevistados, contra os 60% de Lula da Silva, após o mensalão – maior escândalo da República brasileira.

É claro que as acusações registradas neste ano são “fichinhas” diante do rombo realizado pelos mensaleiros. Nem tiveram a repercussão que se teve em 2005. Tanto que a pauta da mídia – naquele ano – foi toda norteada pelos depoimentos nas CPIs e pela documentação obtida, enquanto lá no conforto palaciano o presidente e ex-metalúrgico dizia “nada saber”, “nem ter visto coisa alguma”, mesmo com o gabinete da Casa Civil transformado em QG do esquema denominado de mensalão, cujo desfecho será uma enorme pizza. A exemplo de todas as falcatruas que têm como patrocinadores e atores figuras de proa da política. Filme que se repetiu, agora, com o desvio de dinheiro dos cofres do Ministério dos Transportes, DNIT e continua em estilo seriado nos municípios e nos Estados, como o que se vê sobre os maquinários e cartas de crédito, em Mato Grosso.

O cenário que se iguala ao nacional. Neste, ao contrário do regional, foram sete ministros afastados no primeiro ano de governo. Com exceção do da Defesa, que saiu porque criticou duramente o governo, os outros deixaram os cargos após acusações de corrupção. Foram essas acusações que os derrubaram, não o processo de faxina tocado pela presidente, que alguns veículos de comunicação procuraram “vender” como certa. Não houve faxina. Tampouco maior cuidado da Senhora Dilma, com vistas a intimidar ações não republicanas por parte de alguns de seus auxiliares.

Em meio a esse quadro de indecisões e de falta de comando, a presidente também pecou no que tange ao diálogo com o Congresso Nacional. Pois não tem próximo de si alguém com capacidade e habilidade para a negociação. Ela própria já confessou não ter essa característica. Daí o seu distanciamento político. Inclusive da base aliada. Isso tem lhe trazido prejuízos enormes, e só não foram piores em função da tropa de choque de congressistas cooptadas por cargos, emendas parlamentares e outras tantas benesses.

Além disso, a presidente não tem agenda, nem projetos capazes de contornar a crise que, via internacional, ameaça a estabilidade da economia brasileira. Conquistada graças ao Plano Real e o favorecimento dos mercados interno e externo, embora chamuscados pelos gastos exagerados para eleger a presidente. Portanto, os índices registrados pela pesquisa CNI/Ibope são bons. Porém não retratam, de fato, os cenários reais de um país, ainda governado no improviso e no amadorismo.

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br 
 

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