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Pará Notícias

Um novo conceito

Lambança e Falta de Discussão

Por Lourembergue Alves

Interesses públicos devem ser sempre, discutidos. Princípio basilar. Ainda mais por quem se diz representantes da população. Não foi isso, no entanto, que aconteceu com a aprovação, pelos vereadores, do Projeto de Lei que cria a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário. O que instigou os funcionários da Sanecap, sujeitos a perdas, que se somaram a outros segmentos – entre os quais estudantes - da comunidade cuiabana, e esse entrelaçamento redundou em manifestações dentro da Casa Legislativa local e à frente da prefeitura de Cuiabá.
   
Manifestações necessárias, uma vez que toda a tramitação do dito projeto se deu longe das vistas da população, e de regime “urgência urgentíssima”. Rapidez que, no fundo, pelo menos é o que se supõem, “esconde alguma coisa”. O esconder, aqui, leva a uma série de suspeitas. Inclusive a de que “já se tem” o empresário ou a empresa concessionária dos serviços de água e esgoto. Afirmação que é linguagem corrente nas ruas, botequins e praças. Embora faltem provas quanto a isso, os populares dificilmente deixarão de acreditar nela. Daí o desgaste do petebista-prefeito, cuja pretensão de ter a sua carteira de trabalho renovada em 2012 tornou-se algo muitíssimo distante. Distante porque ignorou a importância do diálogo com as pessoas. O mesmo erro que cometera o seu antecessor no instante da desativação do terminal da “Bispo D. José”. Desativação imprescindível, porém o erro da não-comunicação resultou em insatisfação do usuário e tumulto no trânsito pela Avenida do Prainha.

Ausência de conversa que também teve a ajuda dos parlamentares cuiabanos daquela época. Situação idêntica com a que se vê agora, com o caso da possibilidade de “privatização ou concessão da Sanecap”. Os vereadores (sem qualquer exceção) irresponsavelmente se fizeram alheios a uma tarefa relevante, a saber: o de chamar o chefe do executivo para o diálogo. Afinal, quaisquer Casas Legislativas têm esta tarefa. Bem mais quando se percebe que a administração pública – independentemente de sua esfera - se distancia do conjunto dos cidadãos. Distanciamento, aliás, bastante nítido nos dias de hoje, uma vez que o prefeito se vê refugiado no próprio gabinete, enquanto a sociedade continua do lado de fora, tendo fechadas as portas do Palácio Alencastro.
   
Situação muitíssimo diferente de um período em que o referido Palácio encontrava-se aberto para o ingresso das representações dos bairros, dos mais variados segmentos da sociedade, sem que elas precisassem se apresentar, à portaria, o passaporte carimbado por um determinado vereador.
   
Os anos 1985/86 e 1993/94 tornaram-se, então, passado. Um pretérito dissociado do presente. O que é uma pena! Não que por aqueles anos não existissem desacertos. Estes haviam, e muitos, porém sempre se tinha uma “ponte”, sobre a qual passariam prefeito e comunidades, sob o olhar vigilante e preocupado de um grupo de parlamentares. Coisa difícil de ter no momento, com a prefeitura e a Câmara se juntando em prol de um interesse comum. Daí a lambança, a qual se contraria aos desejos dos munícipes. É isso que se tem e se vê agora, infelizmente, com a história da “privatização ou concessão da Sanecap”. Pois faltou a discussão do projeto, tão necessária e exigência da vida em democrática.        

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br

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