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Pará Notícias

Um novo conceito

Uma leitura na íntegra

Por Lourembergue Alves
   
Uma vez mais, a oposição é convocada para se reorganizar. Desta feita, a voz de chamamento não partiu de alguém no Congresso Nacional. Nem por isso, entretanto, entre os congressistas, deixou de ter sua repercussão. Somada com a que se viu e se ouve na mídia, sites e blogs. Aliás, como é próprio dos textos e das entrevistas de Fernando Henrique Cardoso. Muito mais agora, na condição de ex-presidente e em razão da polarização entre tucanos e petistas. Daí a série de comentários sobre o que ele diz ou escreve. Mesmo por quem, sequer, tenha lido ou ouvido.
   
O curioso é que se dá mais atenção ao que se disse a respeito do que a mensagem transmitida pelo sociólogo. Foi exatamente isso que aconteceu com a “crítica” do ex-presidente Lula da Silva que, tampouco, leu o artigo em questão. Mesmo que tivesse lido, teria dificuldades em entendê-lo. Não pelas palavras utilizadas. Mas pela dificuldade que ele, Lula, tem de ouvir a voz que não seja a sua própria, ou que não venha a fazer coro as “suas realizações”. Razão pela qual se expressou: “Não sei como é que alguém estuda tanto e depois quer esquecer do povão".
   
Em nenhum momento, no dito artigo, pode-se ver “o esquecimento” da importância do povo. A tese do sociólogo é bem outra. Sua essência se prende ao papel a ser desempenhado e a tarefa a ser desenvolvida pela oposição. Uma oposição que se encontra perdida no labirinto que ela mesma criou, e, por conta disso, se vê apática, taciturna e anêmica. Fernando Henrique, então, a chama para ocupar o seu espaço no campo da política. Até porque, diz ele, “não há oposição sem lado. Mais do que ser de um partido, é preciso tomar partido”, e, nesse sentido, “lutar pela redução drástica do número de cargos em comissão, nomeados discricionamente, para conter a fúria de apadrinhamento e de conchavos partidários à custa do povo”.
   
O sociólogo fala em “refazer caminhos”, a começar pela “autocrítica”, sem se valer de “escusas” para jogar na lixeira “a responsabilidade pelos fracassos” registrados, e em reconstrução da agenda. Nesta empreitada, “não se deve existir uma separação radical entre o mundo da política e a vida cotidiana, nem muito menos entre valores e interesses públicos”. Além dessa reconstrução, necessária e importante, “os oposicionistas para serem ouvidos precisam ter o que dizer”. “O conteúdo da mensagem é fundamental”, acrescenta. Para lá adiante, já no parágrafo derradeiro, reiterar, e com razão, de que “se a oposição institucional não for capaz de se ligar mais diretamente aos movimentos da vida, que pelo menos os ouça e não tenha a pretensão de imaginar que pelo jogo congressual isolado alcançará resultados significativos”.
   
São termos duros, fortes, porém necessários. A oposição faz por merecer esse “chega para lá”. O tucano não se escondeu no trapézio com as palavras, a exemplo do que fazem muitos, tanto do lado da situação quanto do da oposição. Afinal, ele reconhece, “são vários focos de insatisfação social”, particularmente no seio da classe média. Por isso, propõe que o discurso oposicionista seja dirigido em especial – não unicamente - a essa camada, cuja imensa maioria – “sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos” – “está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de Internet, Facebook, You Tube, Twitter, etc.” Até porque partido algum representa toda a sociedade. Partido é parte, não o todo.
     
Percebe, desse modo, a relevância de se ler integralmente o artigo “o papel da oposição”. Até para se ver livre da arapuca que se encontra armada, cuja isca vem em forma de deturpação do que se disse, com o fim de destruir a mensagem. Tarefa em que muita gente do PT é mestre. Quando, na verdade, se deve identificar o argumento apresentado, no caso do sociólogo, pois é o argumento que irá mostrar se o autor foi ou não convincente. E, no texto em questão, o sociólogo foi primoroso. Só pecando no que diz respeito ao apontamento de desacertos do PSDB, e dele próprio, quando contribui para deixar esta sigla paulistana por demasia.     

 
Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br

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