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Pará Notícias

Um novo conceito

A reforma que não virá

Por Lourembergue Alves

A indagação mais frequente dos leitores desta coluna refere-se à reforma política. A mesma que se ouve nos botequins, corredores escolares e nas ruas. O tema supera, e muito, outras questões que sempre estiveram na mídia. Isso é bom. Pois demonstra que o brasileiro, particularmente os nascidos e/ou radicados por aqui, acompanhe de fato o trabalho a ser desenvolvido pela comissão criada e instalada no Senado. E não só o acompanhe como se intere do assunto e, então, passe a discuti-lo. Independentemente do lugar e do instante. Afinal, a dita reforma “é a mãe de todas as reformas”.

Essa participação popular pode, e deve ser importante. Inclusive, na identificação de parlamentares-pára-quedistas, cujo único papel é se valerem do momento para a conquista de dividendos eleitorais, com os quais poderão sair candidato a chefia da administração pública municipal e estadual, em 2012 ou em 2014, respectivamente.

Os pára-quedistas, porém, são incompetentes no que diz respeito à apresentação de projetos e de idéias. Passam todo tempo a falar, falar e a falar – e com isso conquistam a simpatia da mídia, ainda que seja a regional -, sem, contudo, terem apresentado coisa alguma por escrito. Até porque o “falar no papel” não é o “seu forte”, nem por certo a falação. Pois os erros cometidos quando fazem pronunciamentos ou dão depoimentos são gritantes. Não apenas os gramaticais.  Mas, igualmente, pecam no que tange a fundamentação, a argumentação, valendo-se tão somente da “retórica sem conteúdo”. Só fazem sucesso porque grande parte da platéia se deixa levar pelo clima do oba-oba, raramente dando atenção ao “epa-epa”. Particularmente no momento em que se vive hoje, com a necessidade urgentemente de mudanças de comportamentos. Mudanças que também depende da referida reforma.

Acontece, no entanto, que a reforma política não se restringe a supressão de artigos, nem com a substituição destes, tampouco com o acréscimo de outros na legislação eleitoral. Embora se saiba que muitos vícios advêm de brechas existentes na própria lei, do não cumprimento das regras e, enfim, de práticas já bastante tempo enraizadas no tablado da política nacional.

Tais práticas, bem como os conhecidos vícios devam ser expurgadas. Ninguém tem dúvidas. Para isso, entretanto, seria necessário bem mais que a troca de fotografias no quadro das Casas Legislativas, muitíssimo mais que os rompantes frequentes no Supremo Tribunal Federal, ou a chamada judicilização da política. Seria imprescindível, portanto, a mudança de postura, de comportamento dos políticos e dos integrantes do Judiciário.

Mudança que passa pela própria mudança da sociedade. A reforma política pode ajudar nisso. Desde que se entenda primeiro, o que ela, a dita reforma, é. A partir daí, pensá-la e procurar realizá-la com as ferramentas necessárias para isso, uma vez que a reconstrução do Estado exige a participação de todos. Não apenas dos membros da comissão do Senado. Membros que dificilmente estarão dispostos a mexer com o que tem que ser mexido, implodido com o que tem que ser implodido. Afinal, eles igualmente não querem perder privilégios, nem regalias. Razão pela qual esta coluna não acredita que a dita reforma possa acontecer. Não no Brasil, cuja população padece do mal de apatia, causada também pela ausência de formação política.      

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br   

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