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Pará Notícias

Um novo conceito

Novo governo com cara de velho

Por Lourembergue Alves
   
Aos poucos, o quadro dos ministros vem sendo desenhado. Desenho quase nada diferenciado do agora. A presidente eleita não faz o estardalhaço feito por Lula. Também, pudera, não possui o cacoete político do seu padrinho, nem a capacidade de transformar suas ações, ainda que se trate de nomear alguém para um dado posto, em peças publicitárias. Diferenças significativas. Contudo, as fotografias que se têm hoje, parecem ser as mesmas do governo futuro.
   
No futuro álbum de fotografias, ressurge a figura de Antônio Palocci. Velho conhecido do ex-metalúrgico que, aliás, esteve presente na equipe de transição da administração de Fernando Henrique Cardoso para a do petista, assim como se viu agora, e foi o homem forte da Fazenda, pelo menos até o estouro do chamado “escândalo do caseiro”, quando se desligou. Retorna na condição de chefe da Casa Civil.
   
Outros rostos – bastante conhecido – também aparecem. É o caso do Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete da Presidência, para a Secretária-Geral da Presidência; bem como a de Guido Mantega, na própria Fazenda. Fala-se, ainda, em deslocar Paulo Bernardo da pasta do Planejamento para as Comunicações; e na manutenção de Marco Aurélio Gárcia.
   
É claro que “caras” novas igualmente virão. A exemplo de Aloizio Mercadante, derrotado nas eleições passadas para o governo do Estado de São Paulo; Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte; Alexandre Tombini para a presidência do Banco Central, Mirian Belchior para o Ministério do Planejamento e José Eduardo Cardozo para o Ministério da Justiça.
   
Todos esses, no entanto, bastante conhecidos do Lula, e que suas indicações têm o endosso do próprio presidente. Há quem diz, e não sem razão, que ninguém é convidado para compor o “novo” governo sem que antes não tenha sido aprovado pelo ex-metalúrgico. Aliás, foi ele quem anunciou alguns deles.  
   
Tem-se, então, um “novo” governo com “feições” de velho. Por conta disso, um ou outro analista já o denomina de “terceiro mandato”. Frase um tanto pesada, e até fora de contexto, uma vez que o chefe atual não deverá mais se posar como tal a partir do dia 1º. de janeiro do ano vindouro. Embora se saiba da enorme força política que possui, ou imagina possuir, capaz até de influenciar, e muito, não só nas indicações para a ocupação dos postos do primeiro escalão, mas nos rumos da administração. Afinal, a presidente eleita - graças ao apoio do presidente atual - não tem jogo de cintura, nem habilidade política necessária para desempenhar função pela qual, livremente, a população a elegeu. 
   
Cenário que marcará a gestão Dilma. Pelo menos no seu primeiro biênio. Sobretudo neste, ou mesmo antes, quando as forças que se juntaram no grupo situacionista tendem a se dissiparem. Certamente por falta de espaços dentro do governo. O que é bastante comum que ocorra, em razão das manifestações dos descontentes, ou dos não contemplados com cargos e das benesses do poder.
   
De todo modo, a composição dos “novos” ministros está mais para Lula que para Dilma.             


Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br 
 

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