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Pará Notícias

Um novo conceito

O pior analfabeto

Tem gente que não sabe ler e nem escrever. É considerado analfabeto “de pai e mãe”, como se diz por aí. Existe outro tipo - o analfabeto funcional. Esse conhece as letras, sabe ler palavras, frases, textos curtos e fazer operações matemáticas básicas, mas é só isso. Não consegue decifrar textos longos. Interpretar textos, nem pensar. Passa longe do significado das palavras. Uma operação matemática mais elaborada é “grego”, não entende nada.

Vocês podem estar pensando que nós já chegamos ao fundo do poço. Não é verdade, tem coisa mais drástica do que isso aí. O pior tipo é o analfabeto político. E para ilustrar esse tipinho, que atrapalha mesmo sabendo ou não sabendo, nada melhor do que recorrer ao original. Pedimos auxílio ao gênio do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. Foi ele quem descreveu precisamente o analfabeto político em um texto em prosa poética.

Aí está, para o deleite dos leitores: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato, do remédio, depende das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Nas nossas caminhadas e conversas pelas ruas, encontramos muita gente que tem esse perfil. Com eles por perto, a conversa fica comprometida, pois a vida não existe sem política, é feita de política, inclusive o amor e a religião. Mas sou a favor do estado laico, se é que vocês me entendem. Uma coisa não necessariamente compromete a outra. Sugiro que os institutos de pesquisa e de educação se preocupem em sanear esse tipo de analfabetismo, que acredito ser o mais danoso para a vida humana e empata a felicidade.

O analfabeto político compromete o desenvolvimento, a organização da sociedade, o progresso da vida em comunidade, a paz, o bem estar geral. Esse tipo de analfabeto é capaz de vender seu voto. Trocar por uma dose. Por um saco de cimento. É uma prostituta. Muitos deles, a mais reles das prostitutas, sem ofensa as profissionais do sexo. Esse tipinho é capaz de escolher um candidato por interesse pessoal, para auferir alguma vantagem material para si. O analfabeto político não percebe que qualquer político tem que trabalhar em prol da sociedade inteira. É essa a função do político, enquanto servidor público temporário.

O imbecil, como diria Brecht, não consegue dizer por que um candidato é melhor que o outro; não tem opinião, porque para opinar é preciso avaliação e raciocínio lógico, pelo menos. “Ah, acho que ele é melhor”, diz com displicência, referindo-se ao político X, a quem vai dar seu voto. E para encerrar o papo de política, que o analfabeto detesta, fala uma das célebres frases: “voto nele e pronto, é a minha vontade, ninguém tem nada com isso”.

Aí está sua ignorância política, que acaba por tabela prejudicando a vida da sociedade.

Antes de finalizar está humilde crônica, quero esclarecer uma coisa importante e fazer justiça com os analfabetos citados no texto. Tem muito analfabeto de “pai e mãe”, que nunca passou pelo banco escolar, e muito analfabeto funcional, que sabe bem pouco das letras e das leituras acadêmicas, e são bastante politizados, com uma tremenda capacidade para identificar o político corrupto, safado e lacaio dos chamados “poderosos”.

São alfabetizados nas leituras da vida e do mundo e capazes de saber quando um político é falso, aquele que só quer “se dar bem”. Por outro lado, temos muito analfabeto político que passou pelos bancos escolares ou ainda está nas universidades, que sabe até fazer teses de doutorado, mas não sabe escolher o político honesto, aquele que trabalha pelo interesse coletivo.

Ora, sabemos que cada candidato tem seu grupo político, tem seus correligionários e cabos eleitorais que vão defender o projeto do seu grupo político. Eles querem convencer os eleitores a votar em seus candidatos. Até aí tudo bem, essa é a regra do jogo. É nesse momento que entra a capacidade de cada eleitor avaliar qual dos candidatos é o melhor para a sociedade, não para o seu interesse pessoal. Qual é o candidato que tem condições de fazer mais coisas em prol da maioria da população. É isso que está em jogo, porque a política é a arte e a ciência da administração de uma nação, de um estado, ou seja, de toda a população. Um governo para todos!


Lázaro Araújo
Jornalista

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