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Pará Notícias

Um novo conceito

Mais vale ser coro ou questionador?

Por Lourembergue Alves

Menos de dez dias para as despedidas. Despedidas do senhor Blairo Maggi do Palácio Paiaguás. Desincompatibiliza para candidatar-se ao Senado. Tudo dentro dos conformes. Pois ele tem filiação partidária e goza de plenos direitos políticos, e, se não bastasse, ainda traz na bagagem, de acordo com a Vox Populi, a aprovação de seu governo (92%). Reúne, portanto, todas as credenciais necessárias para a dita disputa. Ninguém, então, deve se estranhar com tal renúncia. O estranho, entretanto, é até agora não se ter um balanço da referida administração.

O que se tem sobre essa gestão de sete anos e quase três meses não passa de peças de propaganda, notícias e textos elogiosos publicados nos espaços da Internet e dos veículos de comunicação do Estado, além de mensagens que, sequer, foram discutidas no Parlamento regional.

Quadro que manipula e orienta a opinião pública. Explica-se, desse modo, o crescente índice de aprovação. Embora se saiba de uma porção de mato-grossenses que a desaprova, sem, contudo, ignorar suas realizações. Porção motivada pela inquietação e pelo descontentamento. Nem sempre, contudo, detectada pelos institutos de pesquisa. Mas, certamente, terá um peso especial nas eleições de 2010. Podendo ou não dificultar o favoritismo do grande nome do PR/MT. Desde que se tenham também candidaturas fortes em disputa, a exemplo de outras épocas (1950, 1978 e 2002), quando o governador renunciou para pleitear a cadeira da senatoria.

Nessas três oportunidades, a derrota de quem deixou o governo foi taxativa, sugestiva e desafiadora. Um tabu, no entanto, ficou estabelecido. Ganhou, inclusive, a condição de resposta para aquelas derrotas, empobrecendo assim as avaliações e as analises.

A mesma pobreza que se vê agora, quando a avaliação da atual gestão é simplificada ou explicada tão somente pelos índices registrados por cada instituto de pesquisa, ou apenas pelos números de obras apresentados pelo governo. A reflexão, aqui, infelizmente, é descartada. O que é uma pena! Pois muitas questões, concernentes a então administração, são ignoradas. Ignoram-se, por exemplo, promessas não cumpridas, entre as quais a diminuição dos impostos de energia e da telefonia. Somam-se a essa a divisão do Fethab entre os municípios e o zelo com o meio ambiente, ainda que se recuse a receber, a já aprovada, verba do Bird Pantanal. Essa lista é enorme. Tão grande que se perde no batuque do “estar na palma da mão”, em meio ao discurso de “quebra de paradigmas” e no faz de conta da adoção de uma “nova maneira de governar”.

Frases de efeito que nada dizem respeito ao governo que ora termina. Também, pudera a contradição lhe é peculiar. Ainda que se saiba da importância do marketing, o qual vende uma imagem que não se assemelha com o retrato da atual gestão. Uma gestão que se iniciou em 2003. Iniciada sob o barulho de ter encontrado a caixa preta do antecessor. Uma caixa, cujo conteúdo jamais foi provado, daí ter sido logo jogada na lata do esquecimento, e, por conta disso, não passou de delírio ou de fantasia de quem assumira as rédeas do Estado.

Essa peripécia se repetiu no segundo mandato com a criação do Cisc. Uma criação completamente desorganizada, assim como igualmente o foi o primeiro e grande concurso público, que acarretou prejuízos enormes aos cofres de Mato Grosso. Concurso pensado com os olhos fixos na direção das eleições, da mesma forma que se fez ao distribuir recentemente máquinas para os municípios. É o toma - lá, dá-cá, bastante presente ao longo da história regional, em meio à acomodação de velhos companheiros, agora disfarçados em diretores da Agecopa.

Questões relevantes para ser discutidas com o inquilino prestes a deixar o Palácio Paiaguás. Bem melhor discuti-las que fazer coro a propaganda oficial.


Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às segundas, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br

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