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Pará Notícias

Um novo conceito

Uma Queda-de-Braço Petista

Por Lourembergue Alves

O PT/MT está dividido. Não é necessariamente uma cisão por conta de suas correntes internas. Mas, isto sim, em razão de interesses particulares. Interesses que colocam frente a frente suas duas maiores lideranças. Não em uma situação de diálogo. Porque este há muito, deixou de existir. Tanto que na posse do presidente regional, a senadora não compareceu. Isso demonstra, com clareza, o distanciamento entre ambos.

Em outros tempos, não tão distante assim, esse quadro seria escamoteado. Até porque havia um requisito estatutário que proibia intransigentemente que as querelas internas fossem divulgadas. Tal preceito, felizmente, foi expurgado com a “ascensão da agremiação ao comando do governo federal”. Agora, quase tudo chega à mídia. Graças às ambições pessoais, individuais e grupais, pois em torno de cada um dos líderes gravita uma porção de gente de olho nas benesses que do poder emanam.

Percebe-se, então, que está em jogo não apenas a vaga de candidatura ao Senado. Vaga que o deputado e presidente regional briga por ela. Acontece que a senadora não abre mão, pois se acha no direito de concorrer à reeleição. Seu colega, no entanto, é do entendimento que a chamada candidatura nata “nunca” fez “parte da cultura petista”. Por isso pleiteia o mesmo direito de concorrer à senatoria, sob a argumentação de que a professora na condição de candidata a deputada federal, juntamente com o atual secretário de educação do Estado, poderia ampliar a bancada do PT/MT naquela Casa.

Essa ampliação da bancada na Câmara Federal, entretanto, só é possível com a candidatura a reeleição do presidente regional. Inclusive pela sua maior desenvoltura no que tange a articulação política, além de apresentar um poder mais alargado de persuasão e de barganha. O referido parlamentar tem ciência disso. Porém, ignora suas qualidades, e o faz isso, em razão de sua estratégia em ver o campo livre para outros colegas do partido, que lhe são mais próximos e caros. O que levaria ao ostracismo a senadora e o seu grupo. Isso porque a professora dificilmente se elegeria deputada federal. Até mesmo sua reeleição está complicadíssima, a não ser que ela venha a “grudar” no candidato republicano, em uma espécie de reprise do que se viu em 2002 (“Jonas”-Blairo-Serys).

Por outro lado, deve acrescentar, a candidatura natural dentro do PT foi sempre respeitada. Por exemplo, em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a reeleição de seus senadores jamais foi questionada por petista algum. O que derruba a tese do deputado-presidente da sigla.

Esse político, tanto quanto a senadora, é bom que se diga, não pretende “dar o braço a torcer”. Continuará a defender cada qual sua ambição pessoal e grupal. A permanência desse impasse pode obrigar a intervenção por parte do diretório nacional. Embora se saiba que o intervir ou não pouco irá mudar a situação de racha. Isso, pelo seu turno, enfraquece o poderio petista na disputa que se avizinha. Independentemente da tese que venha a prevalecer. Caso o presidente regional seja o candidato ao Senado, a dobradinha com o republicano tem muito mais condições de ser concretizada, porém centenas de militantes optarão por votar em nome diferente para a Câmara Alta. Assim como procederam na eleição para a prefeitura de Cuiabá, em 2008, em função da não permanência da candidatura própria.

A queda-de-braço petista pode render bem mais consequências que até agora se pensa.


Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br

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